Resumo das etapas do IBA World Tour 2011

qruz, 31 de Dezembro de 2011

Evento 1 de 8 Pipeline Pro 15-25 de Fevereiro

Vencedor: Jeff Hubbard

Para este ano de competição a IBA escolheu 24 dos melhores atletas e inaugurou um circuito diferente denominado de Grand Slam Series (GSS) onde se iria determinar a elite do Bodyboard mundial. Havia uma grande ansiedade para ver o novo formato a ser introduzido no Box Pro na Australia. O dia final viu os 24 atletas de topo a competir pela primeira vez, o Tom Rigby que veio desde os trials teve que defrontar na final o Jeff Hubbard o Dallas Singer e o Jared Houston num mar com um pouco de onshore e com metro e meio a partir para o Backdoor. O heat foi um dos mais emocionantes do ano e o Jeff Hubbard a 5 minutos estava a precisar de uma combinação de ondas para primeiro, os Australianos já estavam na borda da água a festejar a vitória do Rigby mas o Hubb é sempre uma ameaça e conseguiu ganhar o evento com um tubo incrível, profundo e virtualmente impossível. saiu da “comboland” com um 9.75 e de seguida mandou um grande backflip e um rollo para obter um 9.50 e ganhou desta maneira inusitada o primeiro evento daquele que seria o ano melhor do nosso desporto. O ano estava no início e já havia uma atmosfera auspiciosa do que viria depois.

Evento 2 de 8: The Box Pro 14-20 de Abril

Vencedor: Ryan Hardy

O novo formato de competição foi introduzido neste evento. O sistema Leaderboard que permite aos atletas terem várias oportunidades para se qualificarem para o main event em vez de serem logo eliminados abruptamente ao perderem. O 1º lugar num heat equivale a 6 pontos, o 2º a 4 pontos, o 3º a 2 e o 4º a 1. Após 3 rounds os resultados eram somados e passa ao main event de 16 atletas quem tivesse mais pontos. O Magno Oliveira foi um dos destaques deste evento e apesar de ter faltado ao seu primeiro heat (recebendo um 0) ganhou o round 2 e ficou em segundo no 3 conseguindo passar ao top 16 do Leaderboard. O Sam Bennett mandou o primeiro inverse em competição (invert-para-reverse). O dia final foi brutal com ondas massivas a fechar no canal. O Magno Oliveira que tinha já eliminado três campeões mundiais para chegar à semi mandou um invert gigante e limpou o campeão mundial Amaury Lavernhe passando a estar na final contra o local Ryan Hardy. Da final todos sabemos que ganhou o Ryan no primeiro campeonato em The Box em 10 anos. Mais um evento que correu bem com o mar a colaborar para mostrar um desporto forte, intrépido e hardcore ao mundo.

Evento 3 de 8: Arica Chilean Challenge 20-29 de Maio

Vencedor: Guilherme Tâmega

O famoso El Gringo, pesadão, raso e glassy, é o pico-rei de Arica e como habitualmente debitou ondas a sério para o mundial, tradição é tradição. Os trials foram à água em boas condições de 1,5m a 2m. O Leaderboard passou à ação em ondas um pouco menores mas boas na mesma e no dia final o mar veio com toda a força com sets de 2,5 a 3m. O Ben Player destacou-se e apanhou ondas incríveis nos quartos de final contra o Magno Oliveira e pareceu o atleta mais em forma. Infelizmente para o Ben as ondas não estiveram em harmonia com ele na semi-final e perdeu contra o seu conterrâneo Dave Winchester. Na segunda semi-final tínhamos Guilherme Tâmega contra o Amaury Lavernhe e aqui o GT lembrou a toda gente porque é chamado de Máquina ou Animal com uma performance estrondosa e perto de inconsequente. A destacar temos aquela onda de set que o GT apanhou para mandar um grande e profundo tubo do qual saiu a festejar e depois ainda foi mandar um rollo suicida numa secção seca, com esta onda o mundo viu que o GT ainda está aí e é um dos melhores. Com a sede de vencer que Tâmega demonstrou não era fácil tirar-lhe o primeiro lugar e Dave Winchester não o conseguiu fazer. Ao festejar no pódio o GT pegou nas pranchas do Winny e do Player e mandou-as para o público numa atitude típica do GT “embriagado” pela vitória.

Evento 4 de 8: AGIT/ Turbo Zicatela Pro 4-13 de Agosto

Vencedor: Jeff Hubbard

Este campeonato estava a dar que falar, a ansiedade era muita, Zicatela em Puerto Escondido nunca tinha sido palco para um evento do tour mundial. O Ryan Hardy começou por ter uma performance aquém do seu valor e esteve quase a não entrar no top 16 do Leaderboard, depois de lá estar mudou completamente a performance e progrediu nos heats man-on-man. Ryan Hardy apanhou a maior onda do campeonato na semi-final contra o Mitch Rawlins, um tubo abissal no qual ele apontou para dentro e foi completamente demolido pela onda, impressionante! A final foi Ryan Hardy contra Jeff Hubbard e aqui o Ryan não conseguiu apanhar nenhuma onda decente e pelo contrário o Hubb começou logo com um reverse gigante que não aterrou por pouco. Apesar disto o Ryan Hardy esteve sempre em primeiro até que uma direita veio em direção do Jeff Hubbard que naturalmente aproveitou ao máximo mandando um invert muito alto e radical conseguindo o score que necessitava para ganhar o evento. Dois eventos ganhos para o Hubb, o futuro parecia risonho.

Evento 5 de 8: Sintra Portugal Pro. 22-28 de Agosto

Vencedor: Uri Valadão

Depois de uma série de eventos com ondas brutais, Sintra revelou-se o campeonato mais fraco embora tenha dado ondas decentes. Os primeiros dias tiveram ondas razoáveis e deu para ver algum espectáculo, ficou a falhar o último dia que amanheceu com ondas medíocres. Nesta senda de bodyboard em ondas médias a pequenas destacaram-se os brasileiros Éder Luciano e Uri Valadão ambos a conseguirem mandar manobras brutais em ondas fracas, especialmente o Uri que consegue uma projecção surreal em lips que não existem! As semi-finais viram o Jones Russel e o Amaury Lavernhe serem eliminados pelos dois brasileiros que se defrontaram na final que sublinhou o talento do Uri em condições extremamente difíceis de ondas pequenas e cheias. Se o dia final tivesse tido melhores ondas este campeonato não seria tão díspar dos outros, mas é difícil haver ondas de calibre do mundial especialmente no Agosto português.

Evento 6 de 8: Nissan Reunion Pro 30 de Setembro a 9 de Outubro

Vencedor: Alex Uranga

Houve um ataque fatal de tubarão uma semana antes deste evento na Ilha Reunião e havia uma grande preocupação da perigosidade deste evento por causa disso. A organização tomou medidas eficazes com o patrulhamento de um barco e mergulhadores a sondar o reef durante a competição. O espanhol Alex Uranga foi sem dúvida a revelação e mostrou um espírito de guerreiro incrível uma vez que tinha deslocado o ombro umas semanas antes e precisava da ajuda do seu irmão sempre que vestia ou despia o fato. A juntar à sua lesão no ombro Alex teve o azar de bater com a cara no reef, um acidente que o deixou bastante maltratado com feridas no rosto. O mais incrível é que apesar desta nuvem negra à sua volta o Alex foi mantendo um nível estrondoso de surf e foi eliminando todos os oponentes desde os trials até à final. O Jake Stone que necessitava de um resultado bom venceu o local Amaury nos quartos de final e foi andando até perder com o Alex na final. Este evento foi espetacular pela perseverança do Alex Uranga e também pelo pico Les Archers que é simplesmente perfeito para Bodyboard.

Evento 7 de 8: Encanto Pro Puerto Rico 2-13 de Novembro

Vencedor: Pierre Louis Costes

A luta pelo título estava a tomar forma, o Jeff tinha dois eventos ganhos e estava longe na liderança, se ganhasse em Puerto Rico era campeão. Estatisticamente metade dos atletas do tour tinham ainda hipótese de ganhar o título claro que muitos necessitariam de vencer os dois eventos finais para o fazer. O campeonato foi abençoado com dois swells bons durante o período de espera. O Hubbard perdeu para o Pierre Louis Costes no round 4 e deixou tudo em aberto. Por outro lado o irmão Dave Hubbard estava imparável e foi progredindo até à final de Dropknee e Masculina. O Dubb por pouco não foi o primeiro a vencer as duas categorias no mesmo evento, falhou ao defrontar o PLC que apesar de estar sempre em segundo no heat até aos segundos finais quando apanha uma onda e manda dois backflips que o catapultaram para primeiro e para vencedor do seu primeiro campeonato mundial de sempre. Mais um campeonato deveras emocionante com ondas muito boas, performances incríveis das quais se destacam o Dubb, os backflips do PLC e também a Rita Pires que mandou o primeiro 10 do campeonato.

Evento 8 de 8: NMD-Pride-Stealth Fronton Pro 6-15 Dezembro

Vencedor: Jason Finlay

O título mundial estava ao rubro haviam 4 atletas que poderiam levá-lo, Hubbard a encabeçar a lista, GT , Hardy e PLC na corrida também.
O Guilherme foi o primeiro a cair quando surpreendentemente não conseguiu pontos suficientes para passar ao top 16 do leaderboard, foi uma grande deceção porque todos sabemos que ele parte a loiça no Fronton sendo um dos pioneiros mundiais no pico. A história do Jason Finlay estava a ser escrita, ele que era o wildcard internacional estava à frente do Hubbard no primeiro heat do round 4 o Hubb conseguiu o score que necessitava para primeiro no final do heat mas nos últimos segundos o Jase apanha uma onda e manda um reverse perfeito deixando todo o mundo de boca aberta e o Jeff fora do campeonato. O Jeff ainda poderia ser campeão mas dependia da performance dos outros, ryan Hardy e Pierre tinham o caminho facilitado. O próximo a cair foi o Ryan Hardy, a sorte não estava do seu lado e falhou ao aterrar um invert na sua primeira onda e perdeu um pé de pato na segunda permitindo a Mitch rawlins facilidade em passar aos quartos de final. Eis que PLC era o único candidato que restava e que poderia tirar o título ao Hubb. Para isso acontecer teria que eliminar o local Elliot Morales e o Jared Houston, o PLC eliminou um Elliot num heat com uma pitada de polémica devido ao score dado ao tubo do Elliot e o título seria decidido no derradeiro dia de competição.
O dia final chegou com ondas gigantescas a quebrar no reef seco. O primeiro a descê-las foi o wildcard Jason Finlay que começou logo a atacar forte nas direitas massivas com drops aéreos mostrando que estava ali para paroveitar ao máximo. A seguir o Andrew Lester que admitiu que estas eram as ondas mais assustadoras que defrontara em competição mandou um longo tubo passando as secções todas. O Mitch Rawlins mandou um tubo ainda melhor, a maré estava a encher e as condições a ficar mais pacíficas se é que se pode chamar pacífico aquele cenário! As ondas ficaram melhores e maiores para o quarto heat dos quartos de final o heat que decidiu o campeão do mundo Pierre Louis Costes contra o talentoso Jared Houston.
O PLC tinha uma margem sobre o Jared e a menos de 10 minutos do final apanhou uma onda brutal que aproveitou para mandar um tubo insano que o disparou para o canal e para o título mundial, a maneira perfeita de ser campeão do mundo! Apesar de ser já o campeão PLC perdeu a semi final com o Mitch que apanhou a maior onda do evento num drop surreal que por pouco não tinha consequências desastrosas. A final seria australiana Jason Finaly contra Mitch Rawlins. Contra todas as expetativas o wildcard venceu o evento e carimbou o final de um ano lindo em termos de competição da IBA.

Um ano que foi o começo do futuro do bodyboard com uma etsrutura forte e coesa, um tour de sonho e muitos atletas talentosos para nos dar o espectaculo que estamos constantemente á espera. Os portugueses não se qualificaram para o GSS mas o Manuel Centeno já nos revelou que para o ano vai-se concentrar no Mundial e com certeza ele e os nosso melhores riders vão ter algo a dizer. Até para o ano!

Artigo escrito a partir da Iba com laivos de opinião minha

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