
A foto do miúdo Josh Garner na já famosa "The Right" (ou direi infame?) lembrou-me de uma conversa que, nem sei bem porquê, acabei por não contar aqui.
Acontece que durante o Mundial de Sintra, eu, o Cocas e mais uns amigos fomos comer uma sardinhada com um rapaz bicampeão Mundial de seu nome Damian King. Durante o repasto, a inevitável bomba que o homem dropou naquela mutante australiana veio, inevitavelmente, à conversa.
Ora, aquilo tinha-me impressionado, mas nem tanto, tendo em conta quem era o animal e os bichos que já o vi descer em horas de youtube e muitas fotos na net. Pois...acontece que a coisa não foi assim tão fácil nem corriqueira...
Cerca de um ano antes do episódio, o tipo tinha sofrido uma lesão num disco da coluna (a a fazer um duck dive, imagine-se) e esteve alguns meses parado. Uma paragem que passou pela imobilização quase total, depois fisioterapia, recondicionamento físico e treino de natação, etc. O que, afinal, acaba por explicar porque é que durante algum tempo não se ouviu falar de Damian King.
Ora, agora adivinhem qual foi a primeira onda que o animal (que não tem outro nome) fez assim que estava recuperado? Pois...a tal, esta mesmo que embeleza este post.
Vou reproduzir a explicação do homem:
"Já podia trabalhar na piscina e fazer treino físico condicionado, mas ainda não estava completamente recuperado e tinha recomendações para não surfar ainda durante algum tempo. Só que a fome já era muita. Tinha estado parado muito tempo e sentia que tinha algo a provar. Assim, falei com alguns amigos e fomos à The Right. Coloquei um colete especial para imobilizar as costas, tomei uns analgésicos dose cavalar (fazendo gesto com o indicador e o polegar para ilustrar o tamanho dos comprimidos) e fui rebocado para a onda. É claro que depois dessa sessão estive mais umas semanas sem me mexer... (Risos)."
E junto isto a alguns relatos de um rider português que esteve na Austrália após uma passagem por Pipe na temporada havaiana.Quando lhe perguntei como foi surfar Shark Island, a mais famosa mutante australiana, ele respondeu: "Aquilo é raso como o caraças, mete respeito, mas então eu via putos australianos com 10 anos a surfar aquilo e eu não ia lá? Isso é que era bom!"
Provavelmente o Cocas virá para aqui chamar-me aussie lover e mais alguns disparates. Não estou a escrever isto para idolatrar país nenhum, mas quando reunimos as peças do puzzle, aparece-nos uma cultura de malucos que vivem os desportos de ondas como ninguém, e com um nível médio assombroso. Se no Brasil damos um pontapé numa pedra e sai de lá de baixo um jogador de futebol, na Austrália passa-se o mesmo com o BB. E sem desrespeito para os riders portugueses, que são, sem dúvida, dos melhores do Mundo, seria lindo se um dia se visse em Portugal (mais) peças de um puzzle semelhante.
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