


1 - Por favor, apresenta-te:
Kim - Chamo-me Kim Feast, tenho 27 anos de idade. Sou de uma pequena cidade chamada Gracetown, e surfo desde os oito anos de idade. Sou local de North Point, uma direita animal que quebra em cima de uma bancada de coral. Vocês provavelmente ja ouviram falar dessa onda.
2 - Para alem do Bodyboard, o que é que fazes para te divertires?
Kim - Agora, estou no segundo ano da faculdade de Arquitetura. Basicamente tem ocupado todo o meu tempo.
3 - Quais são os teus patrocinadores?
Kim - Sou patrocinado pela Elit’ Bodyboard e Creatures of Leisure.
4 - Como é a vida em WA (Western Australia - Australia ocidental) ?
Kim - Animal! Em Perth, as ondas não são muito boas, mas existem vários picos bons relativamente perto daqui. Perth fica a três horas de Margaret River. Parece que esta tudo a mudar-se para cá. Ryan Hardy, Chad Jackson, Jake Stone, Adam Luehman, Trent Sanford, Brad Hughes, entre outros, todos moram aqui, o que torna mais fácil arranjar pessoas para fazer trips.
5 - Por que escolheste o Dropknee?
Kim - Eu acho que o Dropknee me escolheu. Eu não tenho certeza de como é que eu comecei a apanhar ondas em Dropknee e de como isso se tornou mais divertido para mim do que apanha-las deitado. Eu simplesmente achei que tinha mais prazer, e acabei por me apaixonar por esse estilo a surfar.
6 - Preferes surfar ondas grandes e em fundos de pedra, o que te diferencia da maioria dos outros Dkeers. Quando é que deste conta que tinhas essa paixão por ondas de consequência?
Kim - Não me lembro. Tenho no entanto um momento que dificilmente esquecerei, eu tinha oito anos de idade, estava em North Point, na altura a usar uma daquelas pranchas de isopor e barbatanas de mergulho. Eu estava a morrer de medo haha.
Acho que minha vontade de surfar ondas grandes veio através do baptismo de fogo. Morar aqui, num lugar que recebe ondulações tão grandes, fez-me progredir nesse aspecto. Quando tinha 18 anos, dei conta que as minhas habilidades tinham progredido ao ponto de poder começar a surfar ondas grandes. Se eu não conseguisse ficar de joelhos numa onda, eu saía, e ficava a imaginar como poderia ter sido se eu tivesse conseguido. Isso motivou-me bastante, mesmo que eu estivesse cheio de medo.
7 - Muitas pessoas em todo mundo imaginam que ser um bodyboarder na Austrália significa fama e dinheiro. Podes nos dizer como é a situação financeira de um Bodyboarder aí? Consegues pagar as tuas contas com o dinheiro que recebes dos teus patrocinadores?
Kim - Eu nunca recebi um centavo dos meus patrocinadores. Nunca. No meu caso, eu não corro tanto atrás, o que pode ser uma das razões de eu nunca ter recebido dinheiro. As coisas, financeiramente falando, estão muito distante do que as pessoas imaginam.
8 - Apesar da quantidade de imagens, os Dkeers não recebem muita atenção das revistas de Bodyboard. Por que achas que isso acontece?
Kim - Os Dkeers são sempre “censurados” nas revistas, e isso é estúpido. Não é que nós não tenhamos imagens de qualidade, as revistas simplesmente não publicam as fotos. As revistas são prerrogativas. Eu acho que essa situação não vai mudar tão cedo. As revistas americanas publicam algumas fotos de Dropknee, pelo menos. Mas só um número limitado de Dkeers têm fotos publicadas, o que favorece só uma pequena parte de atletas. Mas isso vai de acordo com os interesses das revistas. Nos vídeos não existe essa política que as revistas implementam, e por isso eles fazem um trabalho tão bom em expor os atletas nos media.
9 - Quais são os outros Dkeers australianos que mais admiras e que te influenciam?
Kim - Mike Dobson. Liam Okeefe, que são daqui. Nos outros estados, riders como Jake Sharp, Tyson Ryan, Daniel Coy, Dane Pope, entre outros.
10 - Quantas temporadas havaianas?
Kim - Cinco, se não me engano. Amo aquele lugar.
11 - No Hawaii, os Dkeers parecem dar-se muito bem uns com os outros, como uma família. Os havaianos nunca poupam elogios quando falam em ti e de outros estrangeiros. Por que achas que isso acontece no Dropknee?
Kim - Dropknee é uma família, sem dúvidas. Por sermos um número pequeno de praticantes, os Dkeers tendem a unir-se mais do que nas outras modalidades.
12 - Há uns anos, partiste a perna enquanto surfavas em Off The Wall. Como é que isso aconteceu?
Kim - Tinha acabo de chegar ao Hawaii, e como as ondas estavam boas, fui directo surfar. Na onda que eu apanhei para sair da agua, acabei por cair. Como não queria que fosse assim a minha ultima onda, decidi voltar. Fui a remar por Insanities, que é sempre o sitio mais difícil porque estas sempre a levar com ondas na cabeça. De repente, uma onda quebrou exactamente a minha frente. Ela girou-me debaixo dágua, e acabei por bater com a minha perna numa pedra. Nesse momento, achei que não a tinha partido, apesar de doer bastante. Apanhei uma espuma e saí do mar, quando tentei ficar em pé, dei conta que não conseguia e vi que algo estava errado.
13 - Qual foi a situação no mar que te deixou com mais medo, ou que realmente pensaste que irias morrer?
Kim - Em North Point. Eu estava atrás do pico, e tinha que ir numa onda, mas dropei-a muito tarde. O lip quebrou atras de mim, e fui arremessado no ar. Dei uma cambalhota e caí na água. Eu não parava de descer, quando abri os olhos, tudo estava preto. Por um momento, pensei em desistir e tentar respirar debaixo d’água. Foi aí que comecei a subir. Tive um segundo para respirar até que a onda de trás quebrasse exactamente à minha frente. Depois do susto, remei de volta para o pico para poder redimir-me.
14 - Como é que te preparas fisicamente para surfar ondas grandes e que te podem trazer duras consequências?
Kim - Eu nadei bastante quando era mais novo. Eu e o meu irmão tínhamos que conseguir nadar de um lado ao outro da baía de Gracetown, antes que pudéssemos surfar sozinhos. Nós tivemos muitas aulas de natação, e eu costumava competir durante o colégio, o que me ajudou bastante a treinar para surfar ondas grandes.
15 - Quanto tempo duram as tuas pranchas?
Kim - Se estiver a surfar diariamente, elas duram um mês. Ou dois meses se não estiver a surfar com muita regularidade, ou a desafiar os meus limites.
16 - Usas o mesmo shape para diferentes condições do mar?
Kim - Basicamente. Mas vario o bloco da prancha de acordo com a temperatura da água.
17 - Quais são os teus planos para o resto do ano?
Kim - Continuar com a faculdade e surfar. E conseguir boas imagens e fazer algumas trips productivas.
18 - Quem gostarias de agradecer?
Kim - Eu gostaria de agradecer ao Blake e Don, da Elit’, e ao Shaun, da Creatures, pelo seu apoio. E a todos que me ajudaram ao longo deste caminho.
PS: Check the stance in shot five - hands free, back knee on the deck. Sick!

Utilizadores a navegar neste fórum: Nenhum utilizador registado e 12 visitantes