
Crónica escrita por Bruno Lee Lai.
Viajar
Viajar será uma necessidade premente à vontade ao rider de ondas comum… Porque se de facto existe um consenso em qualquer um de nós é a necessidade de viajar, de conhecer novas ondas, pessoas e culturas.
Não me estou a referir às viagens do álbum de Pedro Abrunhosa, mas antes àquelas em que vamos para Bali ou para Cloud 9…
Qualquer rider sonha em descobrir areais selvagens e deslizar em águas translúcidas com tubos à mistura. Poder surfar tais ondas em locais exóticos é um tesouro que muitos almejam em conquistar.
Já por diversas vezes sonhei em adquirir um carro do povo em pão de forma e enveredar por uma vida nómada, tal qual um berbere, tal qual um Gonçalo Cadilhe…
Aparte do sonho idílico, considerando as crónicas que leio nas mais variadas revistas de especialidade e da minha própria experiência de “backpacker”, viajar não será só facilidades.
Como referi, já realizei algumas viagens pelo mundo, apesar de nunca ter sido com o propósito de surfar ondas, as contrariedades do turista de chinelo são as mesmas. Sinceramente, acho que já não tenho paciência para andar de mochila gigante de um lado para o outro…
Talvez eu seja, por natureza, um stressado, sempre preocupado e sempre a planear… Ainda me lembro da primeira vez que fui à Tailândia e na noite anterior só pensava nos filmes como o Expresso da Meia Noite, que me iam colocar droga na mala, etc.
Claro que quando lá cheguei, apercebi-me que só cai no conto do vigário quem quer… Apesar de tudo e de ter ficado elucidado sobre a situação, existem muitas coisas que podem ocorrer. Aliás, só pelos relatos que por vezes lemos na VERT já dá para perceber que tudo pode acontecer.
No entanto, mesmo que quisesse percorrer essas aventuras, a realidade é que existem factores que me impedem de viajar à procura de ondas como a família. Não quero ser egoísta ao ponto de “obrigar” familiares a enveredar pelo estilo de vida nómada, pois não é fácil abdicar do conforto de casa e do nosso querido Portugal.
Poderão pensar “e nas férias?” Nos vinte dias mais esperados do ano também não posso ser egoísta, há que planeá-los muito bem, visitando as capelinhas todas, conciliando pedidos e vontades.
Conheço um rider que nas suas férias só viajava para lugares com ondas, mesmo nos fins-de-semana mais compridos o objectivo era deslizar pelo mar… Levava a mulher e os filhos… Não será isto egoísmo?
No fundo, tenho consciência que vou ser para sempre um rider urbano que aos fins-de-semana desliza em ondas urbanas... com amigos urbanos…


